Se retou! Bolsonaro diz que não dará mais entrevistas.



Jair Bolsonaro mantém com a imprensa um relacionamento indigno. Ameaça empresas e ofende jornalistas. Agora, declarou que cogita parar de conceder entrevistas. Fez isso em reação a um levantamento da Federação Nacional dos Jornalistas. O estudo mostrou que, em 2019, os ataques a repórteres e órgãos de comunicação cresceram 54%. Saltaram de 135 para 208. Bolsonaro sozinho foi responsável por 58% do total de agressões.Nesta quarta-feira(22), o presidente disse aos repórteres, na frente do Palácio da Alvorada: “Quero falar com vocês, mas a associação nacional de jornalistas diz que quando eu falo, eu agrido vocês. Como eu sou uma pessoa da paz, não vou dar entrevista. – Não posso agredir vocês aí…” Se for para mandar repórter calar a boca, expressar sentimento homofóbico ou ofender a mãe dos repórteres, como tem feito, o melhor que o presidente faz é realmente silenciar. Mas não deveria ser assim. Numa democracia, presidente da República que se queixa da imprensa é como capitão de navio que reclama da existência do mar. A imprensa tem muitos defeitos. Mas enfrenta a antipatia de gente como Bolsonaro por conta de uma virtude. Apenas cumpre a missão jornalística de adequar as aparências à realidade e não adaptar a realidade às aparências, como prefeririam certos políticos. O papel da imprensa não é o de apoiar ou de se opor a governos. Sua tarefa é a de levar à plateia —leitores, ouvintes, telespectadores e internautas- tudo o que tenha interesse público. Só não entende isso quem não dispõe de discernimento intelectual para conviver com o livre curso de informações e ideias. No limite, ao atacar a imprensa que o imprensa, Bolsonaro desrespeita não os jornalistas, mas a sociedade e os princípios democráticos. Por; Josias de Sousa


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