A elevação do nível de alerta de erupção do vulcão Cumbre Vieja, na ilha de La Palma, na costa do continente africano, trouxe à tona uma tese de que um grande tsunami poderia se formar e atingir o litoral do Nordeste do Brasil. Após veiculações de notícias na imprensa, houve um temor de que partes da cidade de Salvador seriam devastadas com ondas gigantes.

O oceanógrafo e professor da Ufba, Guilherme Lessa, explicou, em entrevista ao Metro1, que não há motivos para pânico. Segundo ele, a perspectiva desse cenário alarmante tem como base uma hipótese criada há 20 anos e existem diversos fatores que podem modificar as condições das ondas e, consequentemente, os seus impactos. Ele também indica que é improvável que o evento ocorra, especialmente da maneira que foi projetado.

“O drama é um vício da humanidade. Isso é muito pouco provável que aconteça. É um alarde muito grande. Isso foi publicado há muito tempo e é algo extremamente hipotético, nenhum dos valores seria crível de aposta. Está sendo gerado um pânico sem necessidade”, declarou.

Segundo o oceanógrafo, há uma série de incertezas que devem ser levadas em consideração. Primeiramente, ele reforça que a erupção é, ainda, apenas uma possibilidade. “Não é certo que ele vai entrar em erupção”, lembra.

“Esse tsunami seria causado pela queda de uma grande massa de terra no oceano. Essa massa está localizada à volta do vulcão que está dando sinais que pode entrar em erupção. Quando ele entra, ele gera abalos sísmicos que podem causar instabilidade da montanha e fazer com que parte dela escorregue em direção ao mar”, explica.

Guilherme afirma que a massa de terra foi mapeada, é real, e que uma cicatriz realmente mostra que ela desceu alguns metros nos últimos anos. Mas não se sabe ao certo qual o seu volume. O alarde que envolve o Brasil é referente a uma hipótese que considera uma estimativa de 500 km³. “A primeira vez que essa tese foi publicada foi em 2001. As premissas iniciais eram as piores possíveis. Mas, além desse cenário inicial, tiveram pelo menos outros seis estudos com outras equações matemáticas que indicam a massa de terra de oito a 20 vezes menor, consequentemente, gerando ondas menores”, esclarece.

Também há, segundo o professor, incertezas relacionadas à forma de propagação da onda e quais seriam as melhores equações matemáticas para reproduzir a possível ocorrência, pois existem diversas formas. Além disso, o nível da maré, alta ou baixa, também causaria interferências. “É muito difícil dizer qual seria a realidade caso o deslizamento ocorra porque tem muitas variáveis”, conclui.

Possibilidade de tsunami no Brasil

Embora improvável, existe, sim, a possibilidade da chegada de um tsunami ao Brasil, principalmente na parte setentrional do Nordeste, indica o ocenanógrafo Guilherme Lessa. Mas, no caso de Salvador, Lessa afirma que, além de ser difícil estimar a altura da onda, que pode variar de centímetros a metros, o maior risco não seria relacionado a esse fator. “Eu creio que, talvez, o maior problema que aconteceria, independente da altura, seria o aumento da velocidade da corrente na Baía de Todos-os-Santos. Pode ser que tenha problema com embarcações, esse seria um risco mais palpável do que o risco de inundação”, avaliou.

Caso a situação realmente aconteça, após uma erupção do vulcão, haverá tempo para preparar a população, tranquiliza o professor. “O tempo que levaria para chegar na costa seria de cinco a seis horas, até sete a oito horas no Ceará. Isso é tempo suficiente para saber a forma da onda e emitir um alerta”, falou.

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