Vilas-Boas diz que Anvisa se tornou o maior problema para vacinação: ‘Situação esquizofrênica’


O secretário de Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas, fez duras críticas à condução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na aprovação de vacinas contra o coronavírus no país. Em entrevista a Mário Kertész hoje (31), durante o Jornal da Bahia no Ar da Rádio Metrópole, o gestor reclamou da manutenção de critérios para validar imunizantes mesmo em um momento atípico no sistema de saúde.

“A Anvisa é uma agência extremamente respeitada no mundo inteiro, tanto quanto o FDA americano. Mas ela, neste momento, está dissociada da realidade que estamos vivendo. Está querendo ser mais realista do que o rei. Não é possível que se mantenha, na vigência de uma pandemia, os mesmos critérios aprobatórios que se tem em uma situação regular. Esta semana, a Anvisa foi aos EUA para verificar se a Pfizer americana tinha boas práticas farmacêuticas. Imagina se eu vou pegar, no meio de uma pandemia dessas, perder meu tempo para checar se a Pfizer americana sabe fazer remédio”, disse Fábio.

Ainda de acordo com o secretário, o governo brasileiro deve ditar novos rumos para garantir a aprovação dos imunizantes no país nas próximas semanas. “Eu espero que a gente consiga fazer com que a Bahia e o Brasil possam ter acesso acelerado a duas vacinas que estão em nosso território: a vacina chinesa, que está sendo envasada no Butantan, em território brasileiro e não depende de vacinação, e a vacina russa, que agora no começo de janeiro começará a ser fabricada e produzida ao lado do Distrito Federal em uma fábrica extremamente moderna e que estava ociosa. Essa fábrica terá a condição de produzir dezenas de milhões de doses por mês”, declarou.

O secretário afirmou que o país pode viver uma situação “inconcebível” durante esse processo. Caso não aprove as vacinas ainda no primeiro trimestre, o Brasil pode encarar um cenário em que vai estar exportando os imunizantes para outros países enquanto não tem a vacinação garantida no próprio território brasileiro. “Imagine a situação esdrúxula de nós termos uma vacina sendo produzida no Brasil e sendo exportada porque a Anvisa não concedeu registro para esta vacina ser utilizada no país. É uma situação inconcebível e inimaginável”, comentou.

“Mesmo que o diretor presidente queira fazer alguma coisa, se ele não tiver a concordância dos técnicos das áreas lá dentro, concursados, ele não consegue. Estamos trabalhando para poder tentar dobrar a Anvisa dessa sua situação esquizofrênica de dissociação da realidade para que ela mude a forma dela se conduzir porque estamos numa situação de exceção, uma situação pandêmica. Ela não pode agir de uma forma como age regularmente. Não é culpa do ministro. O ministro, se se tiver vacina hoje, compra e distribui”, afirmou o secretário, que tratou de reforçar que não se trata de uma crítica política sobre o assunto.

“Tem pessoas competentes lá dentro, mas hoje o nosso problema e o problema do Brasil se chama Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Não é crítica política, é uma crítica técnica porque eu acho que a Anvisa tem que se comportar diferente porque o momento é diferente”, finalizou Fábio Vilas-Boas.


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